O tempo passou a ser um inimigo invisível. Não o vejo, mas o sinto me sufocar. Cada novo dia parece igual ao anterior: acordo, tomo banho, ensaio, componho, subo ao palco, sorrio para câmeras e multidões… mas no fundo sei que é apenas uma cortina. Atrás dela, existe só eu — e o medo.
A carta de Emi continua ali, intacta, como uma sombra constante. Não importa em qual canto do apartamento eu a esconda, sempre sei onde está. Basta fechar os olhos para ver cada palavra, cada linha. E quando tento