Acordo todos os dias com a mesma sensação: o ar pesado, como se o quarto fosse pequeno demais para mim. O silêncio da casa já não é apenas silêncio; é uma ausência que grita. Cada manhã, levanto e penso: “Hoje vai ser diferente.” Mas nunca é.
No caminho até a escola, sinto os olhares dos colegas. Alguns cochicham, outros apenas desviam. Eu sei o que eles sabem — ou melhor, o que imaginam. “A irmã do rapaz que sumiu de casa.” “Aquela que ficou.” Eu tento enfiar os fones nos ouvidos, mas a músi