Parte 53...
Emir
Continuei olhando para ela alguns segundos depois da pergunta. Ayla tinha o rosto mais pálido do que o normal, uma marca leve no canto da testa, olhar baixo, apertando os dedos. Estava tensa. Eu também estava.
— Na nossa situação – repeti — Em como tudo está fora do lugar.
Ela franziu a testa.
— Fora do lugar desde quando você me trouxe para sua casa à força.
Não respondi. Porque era verdade. E porque, desde aquela noite, eu vinha justificando tudo com lógica, mas nada do que eu sentia tinha mais lógica nenhuma.
O médico voltou pouco depois para dizer que ela podia ter alta. Assinei os papéis, ouvi recomendações, ignorei metade. Minha atenção estava nela: no jeito como se levantava devagar demais, como levou a mão ao ombro com um incômodo contido, como mordeu o lábio para não reclamar.
Coloquei meu paletó nos ombros dela sem perguntar.
— Emir, não precisa…
— Precisa sim.
Ela não insistiu.
No caminho até o carro, mantive a mão em suas costas. Não empurrando, só guiando