Parte 52...
Ayla
Acordei de novo com um som ritmado, insistente. Um bip baixo. Abri os olhos devagar. A dor tinha diminuído, mas meu corpo ainda parecia fora de lugar. Demorei alguns segundos para entender onde estava. Hospital ainda.
Virei o rosto. Emir ainda estava ali.
Agora estava sentado numa cadeira ao lado da cama, o paletó jogado no encosto, as mangas da camisa arregaçadas. O cabelo estava bagunçado, diferente do homem impecável que eu via todos os dias. Ele segurava um copo de café na mão, mas parecia já estar frio há horas. Quando me mexi, ele levantou a cabeça na hora.
— Ei.
Só isso. Mas a forma como ele disse foi como se estivesse me chamando de volta.
— Você dormiu bastante - continuou. — O médico disse que era normal.
— Quanto tempo?
Ele olhou o relógio.
— Quase cinco horas.
— Nossa… - esfreguei os olhos.
— Não reclame. Foi o melhor remédio que você podia tomar. Assim se recupera mais depressa.
Tentei me ajeitar na cama. Fiz uma careta sem conseguir evitar.
— Não inventa