Parte 64...
Emir
A luz amarela do abajur deixava sombras duras nas paredes. Ayla estava de frente para mim agora. Os olhos vermelhos. Brilhantes demais. O rosto tenso como se estivesse segurando algo havia tempo demais.
— O que você está fazendo aqui? Eu disse que não podia falar, que ia dormir um pouco.
A voz não saiu fraca. Saiu contida. E isso era pior.
— Você mentiu pra mim, Ayla.
— Eu não te devo explicações.
— Deve quando está mal. E você está... Ainda posso exigir respostas. Somos casados.
Ela soltou uma risada curta, sem humor.
— Olha só. Agora você decide o que eu estou sentindo? Vai continuar com esse mesmo papo irritante?
— O que aconteceu? Me diga.
— Nada.
— Para de mentir. Eu percebi pela sua conversa ao telefone. Agora vejo que estava certo.
O maxilar dela se contraiu. As mãos fecharam no tecido da própria calça.
— Vai embora, Emir.
— Não. Eu não vou – cruzei os braços.
— Eu mandei você ir embora.
— E eu mandei você olhar pra mim e dizer a verdade. Estou esperando.
Os ol