Capítulo 04

Cada degrau daquela escada de ferro parecia ecoar o batimento cardíaco que martelava nos meus ouvidos. A chave pesava na minha mão, um convite metálico para o desconhecido. Atravessei o corredor acarpetado do andar superior, onde o som do jazz lá de baixo chegava apenas como uma vibração abafada no chão. Parei diante da suíte quatro. O número dourado parecia me encarar.

Respirei fundo, ajeitando a jaqueta de couro, tentando resgatar a arquiteta que calculava tudo com precisão. Mas, no momento em que estendi a mão para a maçaneta, a porta se abriu.

Alex estava ali. Ele não tinha tirado o blazer, mas o primeiro botão da camisa estava aberto. Nossos olhares se chocaram com a força de um impacto estrutural. Não houve tempo para "olá" ou para hesitações. Antes que eu pudesse formular uma frase, ele envolveu minha cintura com uma mão firme e me puxou para dentro, fechando a porta com um estalo seco atrás de nós.

O beijo dele não foi um pedido; foi uma reivindicação.

Nunca, em toda a minha vida — nem nos dois anos mornos com Oliver, nem nas tentativas frustradas depois dele — eu havia sido beijada daquela forma. Alex me tomava como se eu fosse um território que ele estivesse redescobrindo, uma mistura de fome e uma urgência controlada que me fez esquecer instantaneamente o nome da rua onde eu morava ou o aperto desconfortável da calça sintética. Minhas costas bateram contra a porta fechada, e eu me entreguei, minhas mãos encontrando o tecido caro do seu blazer, puxando-o para mais perto, querendo fundir minha pele na dele.

— Você não tem ideia — ele sussurrou contra meus lábios, sua voz agora rouca, perdendo toda aquela polidez gélida do bar. — Do quanto eu tive que me controlar lá embaixo para não te tirar daquela cadeira no momento em que bati o olho em você.

Ele desceu os beijos pelo meu pescoço, enviando descargas elétricas por toda a minha coluna.

— Seus olhos, Clara... — ele murmurou, a respiração quente na minha pele. — Eles são enormes, amendoados, e brilham com uma inteligência que me dá vontade de ver o quanto eles dilatam quando eu finalmente te possuir. Vou fazer você esquecer que existe qualquer outro homem no mundo além de mim.

Enquanto nos beijávamos, as peças de roupa começaram a cair pelo chão como entulho de uma obra sendo demolida. A jaqueta de couro, o blazer cinza, a regata. Quando cheguei à lingerie, senti um lampejo da velha Clara, aquela que se preocupava se a luz estava forte demais ou se o conjunto combinava. Meus movimentos travaram por um segundo.

Alex percebeu a hesitação imediatamente. Ele parou, segurando meu rosto entre as mãos, seus polegares acariciando minhas bochechas com uma doçura que contrastava perfeitamente com a brutalidade do seu desejo.

— Clara? — Ele me olhou nos olhos, buscando meu consentimento silencioso. — Você quer continuar? Se não estiver pronta, paramos agora. Eu falo sério.

— Eu quero — respondi, a voz saindo em um sopro. — Eu quero muito.

Ele sorriu, um sorriso predatório e fascinado. Alex parecia hipnotizado pela visão do meu corpo, como se estivesse diante de uma obra-prima que ele esperava há anos para inaugurar. Ele pegou uma camisinha na mesa de cabeceira e a colocou sem desviar o olhar do meu, sem parar de me beijar, mantendo o contato como se quisesse garantir que nossas almas estivessem tão conectadas quanto nossos corpos.

— Não vamos fazer nada de BDSM hoje — ele disse, a voz vibrando contra meu peito. — Quero te explicar cada detalhe, cada regra, cada nuance com a calma que você merece. Mas agora... agora eu não consigo esperar. Eu preciso estar dentro de você.

Quando ele me penetrou, o mundo pareceu explodir em cores que eu não sabia que existiam. Eu me contorci sob ele, minhas unhas cravando-se em seus ombros largos. Era uma sensação de preenchimento que ia além do físico; parecia que ele estava ocupando todos os espaços vazios que eu tentei ignorar durante anos. O prazer era tão intenso que beirava a dor, uma voltagem tão alta que eu sentia que ia quebrar.

— Alex... — gemi o nome dele, e ele respondeu intensificando o ritmo.

— Isso, Clara. Fica comigo — ele comandou, a voz baixa e autoritária, mas carregada de uma urgência que me dizia que ele estava tão perdido quanto eu. — Eu estou perto. Vamos juntos.

O clímax veio como uma implosão. Fomos arrastados por uma onda que não permitia resistência. Quando o mundo finalmente parou de girar e a respiração dele começou a se estabilizar no meu pescoço, ele saiu de dentro de mim, descartou a proteção e, para minha surpresa, me puxou para o seu peito, envolvendo-me em um abraço protetor.

Ficamos ali em silêncio por alguns minutos. Eu pensava no que ele havia dito no bar sobre não querer envolvimento emocional, sobre ser apenas um contrato de aparências. Mas o jeito que ele acariciava meu cabelo, o modo como sua mão traçava caminhos suaves pela minha pele... não parecia o gesto de um homem desalmado. Parecia alguém que, por um instante, havia baixado a guarda.

Lentamente, começamos a nos recuperar e a nos vestir. A realidade de Santa Branca voltava a bater à porta.

— Você é arquiteta, gosta de café forte e mora com um gato preto que parece um segurança de boate — ele disse, enquanto abotoava a camisa branca, com um tom levemente divertido.

Eu parei, com a calça na metade do caminho.

— Sarah. Ela não sabe guardar segredo, não é?

— Ela só queria garantir que eu soubesse que você não é qualquer uma, Clara. E ela estava certa.

Ele terminou de se arrumar e se aproximou de mim, arrumando uma mecha do meu cabelo que estava fora do lugar. A máscara de CEO mandão estava de volta, mas seus olhos ainda guardavam o calor do que tínhamos acabado de viver.

— Quero que você passe o final de semana comigo. Na minha cobertura no Setor Norte.

— O final de semana todo? — Perguntei, surpresa.

— Sim. Precisamos conversar sobre o contrato, estabelecer as regras e começar a construir a imagem que meu pai e o resto da cidade precisam ver. Hoje é quinta. Você vai para casa, trabalha amanhã e organiza suas coisas. Eu te busco no sábado, às nove da manhã. Combinado?

Ele não perguntou; ele afirmou. Mas estranhamente, eu não me importei. A ideia de passar quarenta e oito horas sob o comando daqueles olhos cinzas era mais atraente do que qualquer liberdade que eu tivesse no meu apartamento solitário.

— Combinado — respondi.

Descemos as escadas juntos, mantendo uma distância profissional, mas a eletricidade entre nós era tão forte que eu tinha certeza de que, se alguém encostasse em nós, levaria um choque. O jogo tinha acabado de começar, e eu estava pronta para ver até onde aquela estrutura aguentaria.

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