Eu não lembro exatamente quando decidi que iria. Só percebi quando já estava abrindo o armário, jogando roupas dentro da mochila com a mão firme demais para alguém que mal conseguia respirar.
O quarto estava silencioso, mas por dentro eu era pura tempestade.
O diário estava na cama. Aberto numa página que eu já tinha lido dez vezes. Talvez quinze. A letra dele vibrava como se fosse um sussurro dentro da minha cabeça.
“Eu queria desaparecer sem doer em ninguém.”
Eu engoli em seco e fechei o diár