Eu não lembro exatamente quando decidi que iria. Só percebi quando já estava abrindo o armário, jogando roupas dentro da mochila com a mão firme demais para alguém que mal conseguia respirar.
O quarto estava silencioso, mas por dentro eu era pura tempestade.
O diário estava na cama. Aberto numa página que eu já tinha lido dez vezes. Talvez quinze. A letra dele vibrava como se fosse um sussurro dentro da minha cabeça.
“Eu queria desaparecer sem doer em ninguém.”
Eu engoli em seco e fechei o diário como se estivesse fechando uma ferida aberta.
Atrás de mim, Val encostou no batente da porta.
— Não vai adiantar eu pedir pra você pensar, né?
— Pensar é a única coisa que eu tenho feito — respondi, sem olhar pra ela. — E nada melhora.
Bianca entrou logo depois, carregando uma garrafa d’água e uma expressão que misturava nervosismo e determinação.
— O carro já está lá fora. Tanque cheio. — Depois me encarou de cima a baixo. — Você precisa de mais alguma coisa? Remédio? Casaco? Arma?
Val riu,