A rua parecia velha demais para existir em pleno século XXI.
Casas baixas, portões enferrujados, muros rachados — como se tudo ali tivesse parado no instante exato em que algo ruim aconteceu. Era o tipo de lugar onde o silêncio tinha forma, textura… e cheiro de abandono.
O carro mal tinha parado e eu já sabia.
Aquele endereço não era um destino.
Era um aviso.
— É aqui? — Val perguntou, encarando a fachada com um ceticismo que escondia bem a preocupação.
— É — respondi, mesmo sem ter coragem de descer.
Bianca olhou para a casa como quem encara um crime.
Lia segurou meu braço, suave, mas firme o suficiente pra eu sentir que ela estava ali — mesmo que eu estivesse prestes a despencar.
O número do portão estava torto. A pintura azul, gasta até virar cinza.
Uma janela tinha a vidraça rachada, como se alguém tivesse fechado por dentro com força demais.
Era assombrosa.
Mas não de um jeito fantasioso.
Assombrosa como algo que foi vivo… e morreu devagar.
— Éris — Bianca chamou. — Quer que a ge