(Oscar)
Encerrei a ligação o mais rápido que pude. Eu simplesmente não aguentava mais ouvir o que ela dizia. Durou apenas alguns minutos, mas foi o suficiente para eu sentir como se ela tivesse acabado com toda a minha vida, com a nossa vida. Fiquei parado no meio do escritório, o celular ainda na minha mão, ouvindo o silêncio do outro lado. O som do nada. O som do fim.
“Eu ainda amo o Pedro.”
A frase dela ecoava em minha mente, ricocheteando nas paredes do meu crânio. Não. Não podia ser. Não depois da noite anterior. Não depois do beijo no carro, da forma como ela me olhou, da maneira como nossos corpos se encaixaram como se tivessem sido feitos um para o outro. Era uma mentira. Tinha que ser.
Uma onda de fúria, cega e irracional, subiu pela minha garganta. Olhei para o celular em minha mão, o aparelho que havia transmitido a sentença da minha dor. Com um grito de pura frustração, atirei-o contra a parede. O som do vidro se estilhaçando em mil pedaços foi satisfatório por