Rafael Mendes
Meus dedos apertavam o volante do carro preto com tanta força que eu podia sentir as juntas estalarem. O silêncio dentro da cabine era sepulcral, interrompido apenas pelo ronco do motor e pelo chiado estático do sistema de som, de onde a voz de Clarice tinha acabado de destilar seu veneno.
Ela achava que tinha vencido. Achava que a semente da dúvida sobre o bebê era o golpe de misericórdia. Mas Clarice, em toda a sua arrogância, cometeu um erro fatal: ela não conhecia a precisão d