Rafael Mendes
A caneta pesava toneladas. O papel à minha frente não era apenas um formulário hospitalar; era o veredito de uma vida. Ou de duas. O médico me encarava com uma paciência clínica que me dava vontade de gritar. Minha mão, a mesma que assinou contratos multimilionários e petições que mudaram o rumo do direito no país, agora tremia como uma folha ao vento.
Não havia escolha. Com poucas semanas de gestação, uma cesariana era impossível; o bebê dependia inteiramente da estabilização d