Rafael Mendes
O silêncio sempre foi meu único refúgio. Desde que a mãe de Sofia desapareceu, transformando minha vida em um quebra-cabeça com peças faltando, eu fiz da minha casa um santuário de ordem e isolamento. Eu não queria ruídos, não queria rostos novos, não queria nada que me lembrasse de que o mundo lá fora continuava girando enquanto eu estava parado no tempo.
Mas, naquela tarde, algo me impeliu a voltar mais cedo. Talvez o tédio das audiências, talvez uma saudade súbita do abraço