A tarde ardia como uma fogueira acesa sobre os telhados enferrujados da Penitenciária Estadual Feminina. O calor invadia as celas, tornando o ar espesso, úmido e quase irrespirável. Os ventiladores presos às paredes giravam lentamente, espalhando o ar quente como se também estivessem exaustos daquela rotina infernal. As detentas andavam pelo pátio de concreto com passos pesados, suadas, irritadas, entediadas. Algumas discutiam, outras apenas se sentavam em silêncio, esperando que o dia acabasse