O descanso de Fernando dura menos do que deveria. Não porque o corpo dele não precise — precisa, e muito —, mas porque certas guerras não respeitam pontos, nem esperam cicatrização. Elas farejam hesitação. E avançam. Fico sentada ao lado da cama, escutando o ritmo irregular da respiração dele, memorizando cada pausa como quem aprende a reconhecer a própria sobrevivência.
Quando o telefone vibra no bolso do meu casaco, o som é curto. Discreto. Quase educado. Ainda assim, meu corpo inteiro reage.