“Ele me salvou da morte, mas me condenou a sentir. Porque desde que Fernando me tocou, não existe mais diferença entre dor e amor — ambos queimam do mesmo jeito, e ambos têm o cheiro dele.” — Luna Castilho
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A primeira coisa que sinto é o cheiro dele.
Não o vejo, mas o mundo me diz que ele está aqui. É o cheiro que sempre me encontra — mistura de fumaça fria, sal e calor de pele depois da chuva. Um aroma que corta o ar como lâmina e me envolve como promessa. Quando respiro fundo, o corpo inteiro desperta — um arrepio sobe pela nuca, o coração tropeça dentro do peito, e o ar parece denso demais para caber nos pulmões.
O som do mar vem de longe, abafado pelas paredes. O vento sussurra pelas frestas, levantando a cortina que roça na minha pele como um toque fantasma. A claridade branca atrás das pálpebras fechadas me fere — não pela luz, mas pela lembrança do que perdi. Tudo em volta tem um som limpo, ordenado, estranho. O farfalhar dos lençóis recém-trocados, o estalar discreto da made