A casa nunca fica realmente em silêncio. Mesmo quando parece adormecida, há passos, vozes baixas e portas que se abrem e se fecham como se respirassem.
Estou sentada na escrivaninha, relendo a carta deixada por Henri, quando ouço o som familiar dos saltos de Selene atravessando o corredor. Cada batida no piso soa como um lembrete de que ela está sempre por perto, como um perfume que se recusa a desaparecer.
Quando a porta se abre, ela já entra falando, sem bater, como se o espaço lhe pertencess