Capítulo 06

Henry

Decido ligar para o meu advogado, Guilherme, preciso que ele resolva tudo sobre o meu casamento. 

— Guilherme? 

— Henry, o que me deve a honra? 

— Vou me casar! — Anúncio. 

— Como assim? Encontrou o amor da sua vida? — Ele ri. 

— Não, são apenas negócios. 

— Pode falar. 

— Aconteceu alguma coisa com o Eric, ainda não sei bem o que é.  — Dei um suspiro longo. 

— E? — Guilherme me incentiva a continuar. 

— E vou me casar com a Senhorita Andrade. 

— Onde você quer chegar com isso? Você só pode se casar com alguém de dentro da máfia. — Me lembra. 

— Sou o Capo DI Capi, sou eu que faço as regras! — O lembro. — Vou me casar, não quero divulgação e nem nada do tipo, aliás, não quero nem ver ela. Apenas assinarei a certidão e quero que ela faça o mesmo. 

Tem certeza? 

— Tenho, sim, quando der os 7 anos, eu me separo. 

— Ok, vou falar com o Bruno. 

— Quem é ele? 

— O advogado da… 

— Não quero saber nem o seu nome. — O interrompo. — Então você já sabe dessa história? 

— Ok, mas é estranho se casar com alguém que você nem sabe o nome. — Respirei fundo, com certeza ele já sabia o que isso significava. — Sim, o senhor Eric já tinha me instruído, eu só poderia falar sobre isso com alguém se a pessoa tocasse no assunto. Isso queria dizer que ele morreu ou algo do tipo. 

— Por que você não me disse nada? 

— Sabe que sou leal aos meus clientes. 

— Tá certo. — Não poderia ficar bravo, sempre gostei dos trabalhos de Guilherme justamente pela sua discrição. — Assim que ela assinar o papel me avise. 

— É claro, Henry. 

***

Os dias foram passando, Guilherme fez todos os trâmites do casamento e apenas recebi um envelope com a certidão assinada por ela.  Juntamente com os papéis, também tinha uma foto sua, mas não quis ver, era apenas uma menina, e meu único objetivo era saber quem tinha feito isso com o Eric. 

 Deixei tudo encaminhado para ela morar com a Sandra, faria bem para ela ter uma companhia e Sandra era a melhor. 

 Eu voltei para Itália e, quando vinha para Nova York, ficava em outra mansão que tinha comprado em um condomínio. 

 Às vezes saía para tomar um café com a Sandra e ela me deixava a par da situação. Nesses três anos, a menina não tinha me dado nenhuma dor de cabeça, era caseira e se dava muito bem na faculdade, sempre recebia suas notas. E como eu, ela nunca tinha tocado no assunto de me conhecer. 

Nesses três anos, ainda não sabia o que tinha exatamente acontecido com o Eric, aliás, tinha algumas pistas, mas nada concreto. 

Tempos atuais 

Tinha acabado de chegar em Nova York, como sempre o voo é longo, o que me deixa super cansado. 

Mal coloquei os pés em minha casa e o Bruno, a qual é o advogado da minha esposa, está me aguardando. 

 — O que é tão importante que não podia esperar que eu descansasse? — Não fazia nem dez minutos que tinha chegado. 

 — Desculpa, senhor McNight, — Bruno está sem jeito. — Mas a senhora McNight quer o divórcio. 

 — Como assim? Ela está maluca? — Começo a gritar. — Ainda faltam 4 anos para essa merda acabar. 

 — Eu sei senhor McNight, mas ela disse... 

 — Eu não quero saber o que ela disse! — Não posso dar o divórcio ainda, tenho poucas pistas sobre o que tinha acontecido com o Eric e não posso colocar o meu legado e muito menos a minha família em risco. 

Já se passaram 3 anos da sua morte e não obtive nenhuma pista concreta, até matei um infiltrado, mas nada, além disso. 

 — Eu sei, ela quer casar com outra pessoa. — Bruno cospe as palavras. 

 — Como assim? Quem ela pensa que é? — Dou um soco na mesa. 

 — Ela... — Mais uma vez o interrompo. 

 — Já que ela quer a merda desse divórcio, sem problemas. — Bruno me olha surpreso. — Mas diga que só assinarei se ela vir até mim e me pedir pessoalmente. 

 — Senhor, ela não quer te conhecer. 

 — Como essa garota ousa?! — Não consigo acreditar que ela possa ser assim, de nível baixo e ainda estar me traindo. Na verdade, isso nem é um casamento de verdade. Faz poucas horas que tinha transado com a comissária do meu jatinho particular, que nunca é a mesma, já que não quero correr o risco delas se apaixonarem. — Essa é a minha condição. 

 Digo e saio andando, Bruno resmunga alguma coisa, mas não entendo, apenas o ignoro. 

 Volto para o meu quarto. Deito na cama, estou cansado devido à viagem. 

Meu celular vibra, olho no visor, é uma ligação do Thiago, ele é delegado. 

— Fala Thiago, meu amigo! 

— Tudo bem, Henry? 

— É claro, a que devo a honra? 

— Já chegou, né?! 

— Já tinha esquecido como as notícias correm por aqui. 

— Esqueceu que sou delegado? Descubro tudo o que quero. — Essa é umas das vantagens em ser delegado por aqui! 

— Podemos marcar uma bebida? — Sugiro. 

— Não posso, vou fazer uma cirurgia amanhã cedo. — Faz alguns anos que conheço o Thiago, ele também é da máfia. 

— Como assim? — Ele deveria ter me avisado. 

— É uma coisa de emergência, ficarei alguns meses afastado. — Ele faz uma pausa. — Estava pensando em deixar a delegacia em suas mãos. 

— Eu? 

— Sim! Esqueceu que ainda não sabemos o que aconteceu com o Eric? Não posso pausar a investigação, não sei por quanto tempo irei me afastar. — Respira fundo ao pausar. — Já estou me cansando de apenas matar os infiltrados, tem alguém nos traindo e olha que está fazendo isso muito bem. — Confessa. 

— Eu sei, eu sei. Por isso que voltei para o meu posto! — Realmente não posso deixar as coisas como estão, já tem três anos que Eric sumiu e não temos nenhuma pista concreta. Hendrick é muito bom no que faz mas sei que ele precisa de mim. 

— Vou te mandar um e-mail com tudo o que você precisa saber, incluindo casos e funcionários. Já falei com o meu superior e enviei o seu currículo para ele. 

— Meu currículo? — Zombo. — Um Capo tem um currículo?! 

— Henry, você é o único que pode descobrir o que está acontecendo, esse tempo que apenas o Hendrick cuidou de tudo, não evoluímos nada. 

— Hendrick é ótimo no que faz. — Me ajeito na poltrona. — Deixei muitas responsabilidades para ele. 

— Aliás, ele achou incrível suas recomendações. — Ele dá uma gargalhada. — Ah, e tem uma coisinha. 

— Qual? 

— Você terá que dar aula para uma turma da Universidade Central. 

— Porra, Thiago! Isso já é demais! 

 - São aulas de direito civil, você sempre se deu bem nessa área. 

— Merda! — Eu sou formado em direito, fiz o curso devido à máfia. Era bom ter alguém que entendesse sobre a lei, quando o Thiago e Guilherme não estivessem por perto. — Ok, Thiago! 

— Tem umas alunas gatas! — Gargalhamos, Thiago é pior que eu quando o assunto é mulher. 

— Me envie um e-mail falando sobre isso. 

— Enviado com sucesso! 

— Até, me dê notícias! 

— É claro. 

Desligo o celular e o jogo em cima da mesa, caminho até o bar que tenho na sala e me sirvo com um bom whisky. 

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