Imperfeita Para O Mafioso - Valentina Kuhn
Tinha coisa que a gente achava que ia conseguir controlar. Que ia conseguir respirar fundo, contar até dez, e fazer o que tinha que ser feito.
Quando o inferno estourou dentro da nossa casa, eu nem sabia se ainda sabia respirar.
— Entra no armário. Agora! — Daniel disse, a voz tensa, os olhos gritando perigo.
Eu obedeci sem perguntar ou balancear.
Fechei a porta e me encolhi no fundo, tentando me convencer de que isso ia ser rápido, de que ele ia voltar pra me buscar logo. Mas aí... Os tiros começaram, primeiro um, depois outro em seguida dezenas.
Cada disparo parecia explodir dentro do meu peito. Meu coração batia tão alto que abafava tudo.
O som dos gritos, barulho dos móveis sendo quebrados, ruídos da nossa casa morrendo.
Eu apertei os joelhos contra o peito, tentando me encolher, tentando me convencer a ficar ali, trancada, quieta, como o Daniel mandou.
Mas como você fica quieta quando o mundo desmorona do lado de fora da porta?
Eu não ag