Capítulo 05

Henry

Alguns anos atrás.

— Você vai ter que assumir o império da sua família — disse meu pai. 

— Eu não posso, tenho apenas 15 anos. — Estávamos na sede da máfia. 

— Você tem que começar desde agora — Ele respirou fundo. — Esse é o seu tutor. 

Um homem careca, franzino e muito alto. 

— Ele vai te ensinar tudo o que precisa para continuar honrando o nome da nossa família. 

Meu pai sempre foi muito rude, amor era um sentimento que não fazia parte da sua vida. Minha mãe faleceu quando eu tinha 12 anos. Ela tinha um tumor maligno no fígado e quando descobriu, já era tarde demais para qualquer tentativa de tratamento. 

Ainda bem que eu tinha a Sandra, que sempre foi a minha babá e quando me mudei para Nova York, ela veio junto. Sempre cuidou de mim. 

Minha família pertencia à máfia italiana. 

Eu nunca quis ser o Capo, mas isso era passado de geração em geração, então obriguei-me a aceitar. Com o tempo, treinei o meu irmão mais novo. Ele cuidava da máfia para mim, tendo apenas que me deixar ciente de todas as atividades que aconteciam.  

— Olha Henry, eu cuido de tudo para você, mas com uma condição. 

— Qual Hendrick? 

— Você terá que assumir tudo isso quando eu me casar. — Ele apontou para a sala do prédio em que estávamos. 

— Até lá, terei que treinar outro. 

— Por que você nunca falou isso para o papai? 

— Sabe como é, quando é de geração, não se questiona, apenas aceita. 

Três anos atrás 

Meu passado era repleto de esqueletos escondidos em armários. Eu não matava ninguém, mas era a mão que mandava executar, ou seja, isso me fazia um criminoso do mesmo jeito. Tudo tinha que ser do jeito e quando eu queria. Principalmente as mulheres, comigo não existia a arte da conquista, eu queria, eu tinha, simples assim. Se eram casadas, o dinheiro resolvia, meus soldados compravam seus maridos, ou os ameaçavam. 

É claro que isso sempre funcionou. 

Meu tutor tinha um filho que era mais velho que eu, fomos treinados juntos, criei um afeto pelo homem e o chamava de tio, o que ele relutou, mas com o tempo aceitou. Eric sempre amou essa vida na máfia e gostava de viajar. Trabalhava em um escritório de advocacia em Nova York, comandava tudo lá e era o braço direito do dono. Mas em umas de suas viagens, foi assassinado. Nada me tira da cabeça que a máfia alemã quis nos mandar um recado. 

Decidi voltar para Nova York e tentar ter a vida de um homem comum, só assim descobriria o que realmente aconteceu Eric. 

Assim que cheguei lá, recebi uma correspondência que dizia que o avião que a família Andrade estava havia explodido no ar. Fiquei meio receoso com essa história, eles morreram e logo em seguida o Eric também. 

Será que eles tinham alguma coisa com a máfia alemã? Eric nunca tinha entrado em detalhes de como a família Andrade era, mas enfim, irei descobrir o que está acontecendo. 

— Que bom que você voltou meu menino. — Sandra me esperava na porta da mansão que eu morava em Nova York. 

— Também estava com saudades, Sandra! — Falei abraçando-a. 

— Me fala que você vai ficar aqui por muitos e muitos dias? 

— Não sei. — Suspirei fundo. — Apenas quero saber o que aconteceu com o Eric. 

— Ainda não consigo acreditar no que aconteceu, meu menino. — Sandra me acompanhava até o escritório. — Você acha que foram os alemães? 

— Não sei, Sandra, não sei. — Primeiro de tudo eu tinha que saber no que o Eric estava envolvido. 

— Chegou uma correspondência para o Eric. — Levantei uma das sobrancelhas e fiquei meio receoso. 

— Essa aqui. — Ela me entregou a correspondência. 

— Estranho. — O envelope não tinha nenhum remetente. 

Abri o envelope com agilidade e dentro tinha dois papéis. 

Assim que terminei, comecei a ler. 

“Sim, Eric, se essa carta chegou até você é porque fomos embora antes do esperado. O destino foi cruel conosco, não tivemos a oportunidade de ver nossa pequena se tornando uma mulher. Mas, como a vida e os negócios não foram generosos, espero que siga com o nosso contrato. Cuide de minha filha e, caso você não consiga, espero que esse tal de McNigth, seja tão bom quanto você.” 

— Que porra é essa?! 

— O que aconteceu meu menino? 

Não respondi, apenas abri o outro papel que tinha no envelope. 

No contrato dizia que, se acontecesse alguma coisa com a família Andrade, Eric teria que casar com a filha deles e só poderiam se divorciar assim que ela terminasse a faculdade ou quando completasse 25 anos. Se acontecesse algo a ele, teria que designar alguém de sua confiança. Caso contrário, seu segredo seria vazado para toda a impressa. 

Será que era sobre a máfia? No que Eric estava envolvido? A família Andrade estava no meio de tudo isso? 

E aqui dizia que a pessoa de confiança seria eu. Não acredito que ele me colocou nesse rolo. 

Mas não posso arriscar, não sei qual é o segredo do Eric e não posso deixar que a máfia corra perigo. 

— Sandra? 

— Pois não, meu menino! 

— Você conhece a família Andrade? 

— O Senhor Andrade vinha aqui às vezes, ele e o seu Eric se davam super bem! 

Não fazia sentido aquela carta de ameaça se eles eram amigos. 

— Sabe se eles têm filhos? 

— Sempre ouvia o senhor Andrade dizendo que era para o senhor Eric se casar com a filha dele. 

— Ok. — Massageio minhas têmporas.  

— Vai jantar? 

— Não, vou para o meu quarto, tenho várias coisas para resolver. — Dei um beijo na testa da Sandra e subi. 

Meu quarto estava todo arrumado, sempre avisava um dia antes da minha chegada para Sandra. Às vezes, eu vinha para cá e ficava em outra casa ou num hotel para não ter contato com minha esposa. Mas sempre que podia preferia ficar com ela, só ela sabia dos meus gostos e me tratava como filho. 

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