Naquela noite, assim que Maria Clara e as crianças entraram na sala de jantar, souberam que o conde não retornaria ao solar. Permaneceria na cidade.
A notícia foi dada de maneira simples, quase casual, mas mudou o tom da refeição. À mesa, estavam apenas os três. Sem a presença austera que costumava impor certa contenção, Helena e Thomas pareciam mais soltos. Conversavam, riam baixinho, faziam perguntas que se atropelavam umas às outras.
— Senhorita Maria, o Sebastião dorme à noite? — perguntou Thomas, sério, enquanto empurrava o prato com o garfo.
— Dorme, sim — respondeu ela com um sorriso. — E, como vocês, precisa de silêncio.
— Então não posso falar com ele agora? — insistiu Helena.
— Pode amanhã — disse Maria Clara, com delicadeza. — Tudo tem seu tempo.
Enquanto falava, ensinava. Não com lições rígidas, mas com gestos simples, correções suaves e paciência constante. As crianças aprendiam sem perceber.
Depois do jantar, ajudou-os a se preparar para dormir. Helena pediu que ela fica