Capítulo 19

O escritório estava silencioso após a saída deles. Álvaro permaneceu imóvel por longos segundos, diante da porta fechada, como se o ar tivesse mudado de densidade.

A raiva já havia se dissipado, mas no lugar dela havia algo pior. Uma inquietação profunda, quase dolorosa.

Ele caminhou até a janela, apoiou as mãos no parapeito e deixou a testa repousar ali, respirando devagar como se tentasse recuperar o fôlego.

— O que eu estou fazendo… — murmurou para si mesmo.

Não era uma pergunta. Era uma confissão. Lembrou-se da lágrima de Maria Clara, do tremor sutil em sua voz quando achou que seria despedida.

E algo nele apertou.

“Por que isso me afetou assim?”

Ele não tinha resposta. Ou talvez tivesse… mas não queria encarar.

Sentou-se, apoiando os cotovelos nos joelhos, as mãos entrelaçadas.

— Eu não posso… — disse baixinho — não posso me envolver.

Mas a voz soou fraca, quase um pedido, cada palavra que Maria Clara dissera ecoava em sua mente. Ela falava com firmeza, mas nunca com insolência.
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