O escritório estava silencioso após a saída deles. Álvaro permaneceu imóvel por longos segundos, diante da porta fechada, como se o ar tivesse mudado de densidade.
A raiva já havia se dissipado, mas no lugar dela havia algo pior. Uma inquietação profunda, quase dolorosa.
Ele caminhou até a janela, apoiou as mãos no parapeito e deixou a testa repousar ali, respirando devagar como se tentasse recuperar o fôlego.
— O que eu estou fazendo… — murmurou para si mesmo.
Não era uma pergunta. Era uma confissão. Lembrou-se da lágrima de Maria Clara, do tremor sutil em sua voz quando achou que seria despedida.
E algo nele apertou.
“Por que isso me afetou assim?”
Ele não tinha resposta. Ou talvez tivesse… mas não queria encarar.
Sentou-se, apoiando os cotovelos nos joelhos, as mãos entrelaçadas.
— Eu não posso… — disse baixinho — não posso me envolver.
Mas a voz soou fraca, quase um pedido, cada palavra que Maria Clara dissera ecoava em sua mente. Ela falava com firmeza, mas nunca com insolência.