CRISTINA SANTIAGO
O silêncio dentro do carro de Rosália era radicalmente diferente do silêncio na mansão.
Encostei a cabeça no vidro, observando a paisagem mudar. Os muros altos e as cercas elétricas do bairro nobre ficaram para trás, dando lugar à selva de pedra e viva da cidade real. Eu vi pessoas andando nas calçadas, ônibus lotados, vida acontecendo.
Minha mão repousava sobre minha barriga, um gesto que se tornara automático. Meu filho.
— Você lembrou de tudo, não é?
A voz de Rosália veio d