Aurora
Ele não me convidou para sentar.
Nicholas permaneceu em pé, imponente, me observando de sua altura, o que me forçou a levantar a cabeça para manter o contato visual. Era uma tática de poder clara, e eu me recusei a ceder.
"Senhorita Aurora," ele começou, a voz cortante. "Seu currículo é conciso. Uma vaga de babá residente em tempo integral exige dedicação e estabilidade. Você tem dezenove anos e está desempregada. Qual a garantia de que não vai desistir quando a faculdade começar a apertar?"
Senti um calor se espalhar pelo meu pescoço, mas mantive a voz firme. "A garantia, Sr. Nicholas, é que eu preciso deste emprego. Meu foco é minha educação e o sustento da minha família. Para mim, estabilidade significa terminar o que eu começo. E este salário me oferece a chance de estabilizar minha vida de uma forma que nenhum outro emprego pode."
Ele não demonstrou emoção. "Lili é uma criança especial. Ela é quieta, o que a maioria das pessoas confunde com passividade. Ela não precisa de uma amiga para pintar as unhas. Ela precisa de alguém com paciência e inteligência para estimular a mente dela."
"Eu estudei o básico sobre a situação dela antes de vir. Se a quietude dela é resultado da sua... ausência, a solução não é forçá-la a ser ativa. É criar um ambiente seguro onde ela queira se abrir," eu respondi, controlando o impulso de chamá-lo de mau pai. "A inteligência é inútil sem a empatia, e isso eu garanto que tenho para oferecer à Lili."
Ele franziu o cenho ligeiramente, a primeira rachadura em sua máscara de tédio. Ele então se sentou, apontando para o assento à minha frente.
"Sete babás nos últimos dois anos. Por que você seria diferente?" ele perguntou, o tom agora de desafio.
"Porque eu não tenho um plano B," declarei, sendo honesta. "Eu não sou uma profissional com uma dúzia de clientes esperando. Eu sou a última chance que a minha família tem de respirar aliviada, e eu não vou deixar a Lili ou você — por mais exigente que seja — estragarem isso."
A entrevista continuou por mais vinte minutos, focada em logística, regras de privacidade e a rotina de Lili. Ele era implacável em suas perguntas sobre minha vida pessoal e minha disponibilidade, mas eu respondi a tudo com uma precisão que parecia surpreendê-lo. No final, ele pegou um cartão e o colocou sobre a mesa.
"Você será contatada. A Mansão Thorne tem regras rigorosas e meu tempo é finito. Se contratada, você não pode quebrar a privacidade, e seu foco é exclusivamente Lili. Sem distrações." A forma como ele olhou para mim quando disse 'distrações' fez meu sangue esquentar.
Apertei a mão dele, a pele quente e firme, uma surpresa agradável. "Obrigada pelo seu tempo, Sr. Nicholas."
Eu saí daquela sala, exausta, mas com uma certeza: eu o achava o homem mais arrogante e lindo que já tinha conhecido. E, por algum motivo insano, eu queria desesperadamente provar que ele estava errado.
Nicholas
Assim que a porta se fechou, Nicholas se permitiu afundar no sofá, soltando a respiração que não sabia estar prendendo. Ele pegou o cartão da mesa e o virou entre os dedos. Aurora.
O mordomo, Patrick, entrou discretamente para retirar a água que ele nem sequer havia tocado.
"Suas impressões, Patrick?" Nicholas perguntou, os olhos ainda fixos na porta por onde ela havia saído.
"Ela é muito jovem, Senhor. Mas... direta. Não se intimidou, o que é raro em seu escritório."
"Sim. Ela não se intimidou," Nicholas concordou, um leve traço de interesse na voz. Ele estava acostumado a ver as pessoas tremerem com seu nome, ou bajulá-lo. Aurora não fez nenhuma das coisas. Ela tinha se defendido, respondido à altura, e por trás daquela fachada séria, ele viu uma chama. Uma necessidade desesperada, mas honesta.
Ele ignorou o fato de que ela era... distraidamente linda, com um jeito meio inocente. Sua forma de se vestir – o blazer apertado, a tentativa de ser invisível – falhou miseravelmente em conter a energia que ela irradiava. Mas isso não importava.
O que importava era a Lili.
A resposta dela sobre a quietude da filha havia o atingido no ponto fraco. Ela não sugeriu terapias caras, nem atividades exaustivas. Ela sugeriu segurança e empatia. E ela estava certa, a dor de Lili era um reflexo da distância que ele havia construído para se proteger.
"Contrate-a, Patrick," ele ordenou, fechando o cartão com o nome dela.
Patrick, que estava prestes a sair, parou, surpreso. "Tão rápido, Senhor? Geralmente o senhor... avalia por dias."
"Ela não tem plano B," Nicholas disse, repetindo as palavras dela com um sorriso quase imperceptível. "Isso significa que ela vai lutar para ficar. E eu preciso de alguém que lute. Além disso," ele adicionou, um calafrio percorrendo sua espinha, "ela tem o brilho nos olhos que a Lili perdeu. Ela vai ficar. Avise-a que ela começa amanhã e que, ao aceitar, concorda com todas as regras."
Ele se levantou e foi até a janela, observando o carro modesto de Aurora se afastar pela alameda. Ele precisava de controle e ordem. E ele estava prestes a colocar em sua casa e em sua vida a única mulher que parecia completamente fora de seu controle.