Lizandra
O uniforme que me deram era simples, uma blusa branca e uma saia preta, mas estava um pouco apertado no meu corpo, como se não tivesse sido feito para alguém do meu tamanho. Mesmo assim, vesti às pressas.
Meu vestido deixei pingando dentro do banheiro pequeno onde troquei de roupa. Meus cabelos úmidos grudaram no meu rosto. E embora minhas mãos tremessem, minha única preocupação era outra:
“Como estava a Lia?”
E, logo em seguida: “Como eu ia sair daquela casa sem desmaiar de nervoso?”
Dentro do escritório abracei meus próprios braços, tentando estabilizar a respiração. Eu queria ir embora. Queria minha bolsa, sair pra rua, voltar pra minha vida difícil mas simples. Queria distância de olhos frios e perguntas silenciosas.
Mas, enquanto esperava, parecia que o tapete do escritório engolia meus pés. Então a porta se abriu.
E eu senti, fisicamente, o impacto.
Fernando surgiu no vão da porta como uma presença… maior do que o espaço. Ainda mais bonito do que eu vi na entrevista,