O celular de Miguel vibra sobre o balcão da varanda, interrompendo o ruído das maritacas que brincam entre os galhos do pé de goiaba. Ele enxuga as mãos na calça jeans e atende.
— Alô?
A voz do pai do outro lado vem embargada, trêmula.
— Miguel... é a Marta. O bebê... um dos gêmeos... sumiu.
Silêncio.
O chão parece desaparecer sob os pés de Miguel. Ele segura o telefone com força, os nós dos dedos esbranquiçados, o coração martelando no peito.
— Como assim, pai? Sumiu? — a pergunta sai num suss