O envelope treme em suas mãos como se carregasse dentro dele uma sentença, um veredito capaz de mudar todo o curso de sua vida. Ela está sozinha no quarto, a respiração presa na garganta, o coração pulsando como se quisesse rasgar o peito.
Não deveria ser tão difícil. É apenas papel, apenas letras e números impressos em uma folha clínica. Mas ela sabe que não é só isso, é o futuro que se desenha sem pedir permissão. É o peso de decisões que ela ainda não teve coragem de tomar.
É a lembrança de Alan, morto, o homem que tanto, que a acompanha como uma sombra, e é Rui, presente demais na memória e ausente demais na atitude, para quem ela não quer, não pode mais se permitir entregar.
Ela fecha os olhos e inspira fundo. O som do lacre rasgado ecoa no silêncio como um trovão. Vivian abre o envelope, lê de uma vez só, sem parar, como se arrancasse um curativo, positivo. Um filho. Não de Alan, não do homem com quem sonhou construir uma família, mas de Rui Campos, o mesmo homem que a confund