O silêncio do centro médico não é comum. Não é o silêncio natural de um ambiente hospitalar, mas sim um tipo denso e carregado, quase sólido. Parece prender o ar, como se o próprio tempo estivesse em suspensão. Afonso Schneider sente esse peso como um casaco molhado sobre os ombros. Caminha pelo corredor impecavelmente limpo e iluminado, os sapatos de couro ecoando sobre o piso de mármore, cada passo seu acompanhado por pensamentos que se atropelam. Ele conhece bem aquele lugar — o cheiro de an