O som do despertador ecoa pela casa silenciosa como um intruso inconveniente. Vivian desperta sobressaltada, o coração acelerado, sem entender por um instante onde está. A respiração curta, a luz suave que invade pelas frestas da cortina e o cheiro adocicado do café que preparara na noite anterior a puxam de volta para a realidade, ela está no Rio de Janeiro. Sua casa. O lar que já foi preenchido por risos, sonhos e promessas, e que agora guarda apenas ecos de um passado doloroso.
Ela se senta na cama, passa a mão pelos cabelos desalinhados e respira fundo. Há algo de cruel no retorno ao espaço onde acreditou ter construído uma vida perfeita ao lado de Alan, onde viu Jeff crescer acreditando que era Vítor, onde o coração dela ainda insiste em pulsar lembranças. Cada parede parece sussurrar memórias que se recusam a morrer.
Determinada a não se deixar vencer pelo peso da nostalgia, ela se levanta e caminha até a cozinha. Coloca a mesa para uma pessoa só, algo que ainda lhe arranca um n