O chão de cerâmica antiga desliza sob os pés de Marta assim que ela cruza a soleira da porta. O som é baixo, mas para ela, ecoa como um trovão de lembranças. Dona Maria a recebe com um sorriso trêmulo nos lábios, os olhos marejados, e a voz que sai quase como um sussurro de oração atendida.
— Mantive tudo como você deixou, filha... — diz, engolindo o choro, com o coração nas mãos.
Marta para no meio do quarto. Fica imóvel, como se atravessar aquela porta fosse regressar no tempo, mas o tempo ag