O silêncio que se seguiu à destruição do Éden era absoluto, um tipo de vácuo sonoro que eu nunca imaginei ser possível dentro de um centro de dados. O rugido constante dos ventiladores, o bip rítmico dos servidores e o zumbido da eletricidade tinham sido substituídos pelo som da minha própria respiração ofegante e pelo batimento cardíaco acelerado de Nicholas, que ainda me mantinha firme contra o seu peito. A escuridão no Bunker era quase sólida, quebrada apenas pela luz vermelha e giratória das lâmpadas de emergência, que pintavam as paredes de grafite com o tom de uma cena de crime.
Nicholas afastou-se apenas o suficiente para olhar nos meus olhos. A luz vermelha tornava as suas feições ainda mais dramáticas, realçando o suor na sua testa e a determinação inabalável no seu olhar.
— Acabou, Anne — disse ele, a voz rouca, como se tivesse acabado de gritar por horas. — O sistema está morto. O monstro que o Wagner criou foi purgado.
— Não foi apenas a IA que morreu, Nicholas — respondi,