O Tribunal de Cristal

A sala de reuniões do trigésimo andar da TechTitan parecia mais fria do que o habitual. As paredes de vidro, que normalmente ofereciam uma vista deslumbrante de São Paulo, agora funcionavam como uma vitrina onde a nossa reputação estava exposta para o julgamento dos tubarões. O Dr. Arnaldo já estava sentado à cabeceira da mesa de mogno, com uma pasta de couro aberta à sua frente e uma expressão que misturava satisfação e desprezo. Ao seu redor, os membros do conselho sussurravam, os seus tablets exibindo as fotos que o Marcos tinha vazado e, logo ao lado, o nosso comunicado oficial.

Nicholas entrou na sala sem bater. Ele não pediu licença; ele tomou o espaço. Eu caminhei ao seu lado, sentindo o peso de cada olhar reprovador, mas mantive o queixo erguido. Eu já não era a rapariga do TI que pedia permissão para respirar naquele andar.

— Nicholas, isto é um suicídio corporativo — começou Arnaldo, sem sequer se levantar. — Tu não só admitiste uma relação com uma ex-subordinada, como o fiz
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