Dois anos depois...
O sol de outono começava a despedir-se de São Paulo, pintando os arranha-céus de um dourado profundo que parecia refletir-se no vidro do meu novo escritório. Eu já não estava no subsolo, nem Nicholas estava sozinho no trigésimo andar. A nossa nova sede, situada num dos edifícios mais sustentáveis e modernos da Faria Lima, era o símbolo vivo da nossa "reconstrução". A placa na entrada não deixava margem para dúvidas: Titan-Intelligence Group.
A fusão das nossas empresas não tinha sido apenas um movimento financeiro; tinha sido a maior declaração de amor e poder que o mercado brasileiro já testemunhara.
Nicholas entrou na minha sala sem anunciar, como sempre fazia. Ele já não usava aquelas gravatas apertadas que pareciam sufocar a sua humanidade. Estava mais relaxado, com uma camisa de linho azul e um sorriso que agora aparecia com uma frequência que antes seria considerada um erro de programação.
— Estás pronta para a conferência de imprensa? — perguntou ele, caminh