O silêncio que se seguiu à revelação de Anne foi mais ensurdecedor do que a batida eletrónica que ainda ecoava no rooftop. Para quem olhava de longe, Nicholas e Anne pareciam apenas dois CEOs a discutir uma cláusula contratual complexa sob a luz da lua. Mas, entre eles, o ar tinha-se tornado rarefeito. A menção de que a assinatura digital de Anne fora usada para derrubar o firewall da TechTitan era o equivalente a encontrar uma arma registada no nome da pessoa amada numa cena de crime.
— Tens a certeza do que estás a ver, Anne? — perguntou Nicholas, a sua voz baixando para um tom gélido que ele raramente usava com ela, mas que era o seu modo de defesa padrão quando o império estava sob ataque.
— Nicholas, eu escrevi cada linha daquela chave de encriptação. Eu reconheceria a minha lógica de programação em qualquer lugar, até no meio de um milhão de linhas de código corrompido — respondeu ela, os dedos deslizando freneticamente sobre o ecrã do relógio, tentando isolar a origem do sinal.