Fernanda
Eu não sabia quanto tempo tinha passado.
Minutos. Horas. Talvez dias.
A luz que entrava pela janela alta do quarto era sempre a mesma, um tom acinzentado que me fazia perder a noção do tempo, que me fazia esquecer que ainda existia um mundo além das paredes que me cercavam.
O apartamento era silencioso.
Assustadoramente silencioso.
Eu quase podia ouvir meu coração batendo, as batidas rápidas, frenéticas, como as asas de um pássaro preso em uma gaiola pequena demais.
Eu me levantei da