CAPÍTULO 8

******

— Você não precisa me proteger de todo mundo — ela disse, mais suave.

— Preciso — ele respondeu, simples. — Porque eu não quero dividir sua atenção com ninguém.

O elevador dela chegou. Alex deu um passo para o lado, mas antes de ela entrar, completou:

— Amanhã às 8h, você passa na minha sala. A gente termina aquele relatório.

Thaís assentiu, entrou no elevador e, enquanto as portas se fechavam, viu Alex ainda parado ali, olhando fixo para ela.

No caminho para casa, o coração dela batia

mais rápido do que depois do confronto com

Isabela.

****** ALEX******

Alex está num turbilhão — e ele mesmo não consegue nomear direito o que está acontecendo.

Ele sempre foi o tipo de homem que controla tudo: a empresa, as reuniões, a imagem que passa. Sentimentos eram algo que ele arquivava, analisava, colocava na gaveta certa. Com Thaís, essa gaveta não existe.

Ele não sabe se é atração, proteção ou algo mais profundo. Parte dele diz que é só gratidão — ela o tirou de uma situação incômoda na noite anterior, foi sincera, não jogou charme barato como Isabela.

Outra parte reconhece que gosta da forma como ela o olha, como fica nervosa e ainda assim se impõe. Mas o que realmente o desmonta é a ideia de outro homem perto dela.

Quando viu Henrique se aproximando, encostando, oferecendo carona com aquele sorriso fácil, algo dentro dele disparou.

Não foi raiva racional, foi um impulso quase primitivo: ela é minha responsabilidade agora. Ele inventou o relatório na hora, só para cortar a aproximação, para colocar o corpo entre os dois.

Ele não quer admitir que está com ciúmes. Não quer admitir que a presença de Thaís mexe com ele de um jeito que nenhuma outra mulher mexeu.

Está confuso, irritado consigo mesmo, e ao mesmo tempo aliviado por tê-la afastado. ali, pernas cruzadas, o olhar atento.

****** Thaís ******

— Agora fala — Ana exigiu.

Thaís contou tudo, sem pular nada: a chamada inesperada para a sala da presidência, o susto achando que seria demitida, a revelação de que Alex era o presidente, a oferta da vaga de secretária, a aceitação.

Ana abriu a boca.

— Você… virou secretária do presidente?

— Virei — Thaís confirmou, rindo.

— E o confronto com a Isabela? — Ana se inclinou pra frente.

Thaís relatou a entrada da Isabela, a tentativa dela de tomar o lugar na reunião, a forma como Thaís a colocou na terceira cadeira, o comentário venenoso na saída e a firmeza que ela não sabia que tinha.

A boca de Ana abriu ainda mais.

— Você enfrentou a Isabela? A Isabela? Aquela que acha que o escritório é o camarim dela?

— Enfrentei — Thaís disse, ainda meio incrédula dela mesma.

Ana levou a mão ao peito.

— Espera… e o ciúme do Alex?

Thaís hesitou, mas contou a cena no corredor: Henrique se aproximando, oferecendo carona, e Alex surgindo do nada, inventando um relatório urgente só pra tirá-la dali, dizendo que não queria dividir a atenção dela com ninguém.

Ana ficou em silêncio por dois segundos e então explodiu:

— ELE TÁ COM CIÚME DE VOCÊ, THAÍS!

— Ana, para — Thaís riu, mas o rosto esquentou.

— Para nada! O homem te tirou do meio do outro, inventou reunião em cima da hora e ainda falou que precisa proteger você! Isso não é chefe, isso é homem interessado!

Thaís mordeu o lábio, lembrando do olhar de Alex, do tom baixo da voz dele.

Ana balançava a cabeça, as expressões mudando a cada frase — surpresa, choque, um sorriso malicioso.

— Amiga, você entrou pra trabalhar como assistente e saiu com um presidente obcecado. Eu tô impressionada!

Thaís riu, o coração acelerado, e pela primeira vez admitiu em voz alta:

Eu também tô… confusa. Mas, não deve ser nada amiga, pode ser só o jeito dele — Thaís disse, mexendo no canto do lençol, como se tentasse ajeitar os próprios pensamentos.

Ana a observou, apoiando o queixo na mão.

— O jeito dele de te tirar do lado do Henrique e inventar relatório naquele horário? Thaís, o cara é presidente, não estagiário carente. Ele não faz isso “só por educação”.

Thaís deu de ombros, rindo fraca.

— Ou eu tô criando uma fic na minha cabeça. Ele foi gentil, me deu água, me colocou na vaga… Talvez seja só o estilo dele de liderar. Ele parece sério, mas foi atencioso.

Ana revirou os olhos, mas o sorriso não saiu.

— Pode ser. Ou pode ser que ele esteja tão perdido quanto você, só que com mais poder e menos filtro.

Thaís ficou quieta um instante, encarando o teto. O rosto de Alex na hora que interrompeu Henrique voltou à mente. A mandíbula travada, a frase:

“não quero dividir sua atenção com ninguém”.

Ela sentiu o estômago revirar.

— Se for… eu não sei lidar com isso — murmurou. — Eu só trabalho lá há três meses, preciso desse emprego, preciso da faculdade. Não posso me enrolar com o chefe.

Ana apertou a mão dela.

— Então você foca no trabalho e deixa ele lidar com a confusão dele. Mas se esse “jeito dele” continuar, você vai ter que decidir se é fic ou realidade.

Thaís assentiu, o coração ainda acelerado, com a cabeça a mil e tentando manter os pés no chão.

Depois do papo no quarto, Ana olhou o relógio e se levantou.

— Já tá tarde, amiga. Vou indo pra casa, senão minha mãe vai achar que eu fui me mundei pra sua casa.

— Vai, e amanhã te conto se o “relatório das 18h”

realmente existe — Thaís riu, acompanhando ela até a porta.

********** ANA *******

Ana chegou em casa e encontrou a mãe na cozinha, preparando o jantar.

— Mãe, cheguei — disse, dando um beijo no rosto dela e um abraço apertado.

— Filha, você tá com cara de quem teve um dia longo — a mãe respondeu, enxugando as mãos no pano.

— Foi… mas foi bom. _ Ana acalmou a mãe.

Elas se sentaram à mesa da cozinha. A mãe serviu um copo d’água e, sem rodeios, perguntou:

— Conseguiu pagar a parcela da faculdade esse mês?

Ana hesitou, o sorriso murchando um pouco.

— Consegui a metade. A outra vence semana que vem.

A mãe suspirou.

— A gente dá um jeito. Se apertar, eu vejo com a Dona Marta se ela adianta meu pagamento.

Ana sentiu o peso que vinha carregando o dia todo voltar.

— Eu não queria que a senhora se apertasse por minha causa.

A mãe pegou a mão dela.

— Você tá estudando pra sair dessa vida, Ana. Eu aperto onde precisar.

A conversa ficou mais leve quando a mãe abriu a gaveta e tirou um envelope com algumas fotografias antigas.

— Olha aqui — disse, entregando a primeira foto.

Era o pai de Ana, jovem, sorrindo na porta da casa antiga, com Ana no colo, ainda bebê.

Ana passou o dedo na foto, a garganta apertando.

— É o papai...

— Sim — a mãe disse, a voz mais baixa. — Ele teria

orgulho de você hoje. Dizia que você ia ser alguém importante.

Ana engoliu o nó na garganta, olhou as outras fotos — o pai no churrasco da família, ele e ela no primeiro dia de escola, os dois rindo na praia.

— Eu sinto falta dele — sussurrou.

— Eu também — a mãe respondeu, abraçando a filha de lado. — Mas ele tá aqui, viu? Em cada conquista sua.

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