Orlando Narrando
Quando ela abriu a porta e me encarou, senti o tempo parar por alguns segundos. Era a minha menina. A minha filha. Tão mulher, tão dona de si. E, ainda assim, nos olhos dela, eu vi a dor que deixei lá atrás.
— Pai? — ela disse, como se a palavra fosse estranha na boca dela. E era. Eu sei. Eu fui um pai ausente. Um covarde, talvez. Me separei da mãe dela e fui embora como se isso não fosse deixar marcas. Mas agora… agora eu queria fazer diferente.
Depois que ela me deixou ali,