Laura
A casa está quieta demais para o horário. O tipo de silêncio que não acalma — só amplia os pensamentos. Estou sentada no sofá, as pernas dobradas sob o corpo, alguns desenhos das crianças espalhados pelo colo, mas não consigo me concentrar em nenhum deles. Meu olhar vagueia, minha mente também.
O celular vibra sobre a mesa de centro.
Número desconhecido.
Meu primeiro impulso é ignorar. Mas algo — um pressentimento suave e insistente — me faz atender antes que a tela apague.
— Alô?
Há uma pausa curta. Um silêncio denso. Reconhecível, mesmo antes da voz.
— Laura… — ele diz. — Sou eu. Caine.
Meu coração erra o ritmo. Não dispara como quando estamos provocando um ao outro. É diferente. Mais fundo. Mais atento.
— Caine? — me ajeito no sofá. — Está tudo bem?
Ele solta o ar devagar, como se estivesse segurando havia tempo demais.
— Não — responde com honestidade. — Por isso liguei.
Minha mão aperta o celular.
— O que aconteceu?
— É o Nathan. Meu irmão. — A voz dele fica mais baixa. — E