Laura
A casa está quieta demais para o horário. O tipo de silêncio que não acalma — só amplia os pensamentos. Estou sentada no sofá, as pernas dobradas sob o corpo, alguns desenhos das crianças espalhados pelo colo, mas não consigo me concentrar em nenhum deles. Meu olhar vagueia, minha mente também.
O celular vibra sobre a mesa de centro.
Número desconhecido.
Meu primeiro impulso é ignorar. Mas algo — um pressentimento suave e insistente — me faz atender antes que a tela apague.
— Alô?
Há uma