Caine
O cheiro de hospital sempre me incomodou.
É limpo demais, silencioso demais, carregado de uma tensão que não aparece nos monitores, mas se infiltra na pele. Luz branca. Passos apressados. Vozes contidas. Tudo parece existir num limbo entre o pior medo e a melhor notícia possível.
Estou sentado há horas — ou minutos, perdi a noção — numa cadeira dura demais para um momento desses. Elijah ficou com a babá, seguro, alheio ao caos que quase me partiu ao meio. Foi a decisão certa. Mesmo assim, meu corpo inteiro vibra numa ansiedade que não se dissipa.
Meu celular está mudo agora. Nenhuma nova ligação. Nenhuma atualização.
Até que finalmente vem.
— Senhor Westbrook?
Levanto no mesmo instante.
— Sou eu.
O médico é jovem demais para carregar aquele tipo de responsabilidade, mas o olhar é firme, profissional.
— Seu irmão já foi estabilizado e acordou há alguns minutos. Ele está consciente. Ainda vai passar por exames complementares, mas posso dizer que… — ele pausa, e meu coração ameaça