Laura
Por um segundo, eu esqueço como se respira.
Caine ajoelhado diante de mim não faz sentido nenhum. Não com aquele terno impecável, aquela postura de homem que controla o mundo, aquele olhar que costuma intimidar salas inteiras. E, ainda assim, ali está ele.
Vulnerável. Tenso. Com a mão levemente trêmula segurando uma caixinha pequena demais para carregar algo tão grande.
Eu sempre achei que reconheceria o momento.
Que haveria trombetas, ou fogos, ou algum tipo de aviso divino.
Mas não.
O momento chega silencioso, vestido de cotidiano, amor e escolhas reais.
As palavras dele ainda ecoam dentro de mim.
Você bagunçou minha vida.
Um sorriso nasce antes mesmo das lágrimas. Porque é verdade. Eu baguncei. Entrei sem pedir licença, com meus vestidos coloridos, minhas crenças improváveis, meu jeito de sentir tudo demais. E ele… ele deixou.
Olho para aquele homem que aprendeu a amar do jeito mais difícil: ficando.
— Caine… — minha voz sai fraca, emocionada demais para esconder qualquer coi