Caine
A espera é uma coisa curiosa.
Ela não grita, não corre, não faz barulho. Só se instala. Fica ali, pesada, ocupando cada canto do corpo, como uma pressão constante atrás dos olhos e no centro do peito.
Elijah termina o lanche e limpa a boca com o guardanapo do jeito desajeitado de sempre. O suco deixa um bigodinho alaranjado em seus lábios, e ele sorri pra mim como se o mundo fosse simples demais para comportar tragédias. Como se pais não se ferissem em missões. Como se irmãos mais velhos não precisassem ser pilares quando tudo ameaça ruir.
— Tio, depois posso terminar a fortaleza? — ele pergunta, já descendo da cadeira.
— Pode. Mas sem espalhar tudo de novo pela sala — respondo, automaticamente, no tom que uso em reuniões quando quero parecer firme mesmo estando à beira de explodir.
Ele assente com seriedade exagerada e corre de volta para o tapete.
E ali, observando aquele corpo pequeno, aquela confiança absoluta de que eu estou no controle, sinto o peso real da situação cair d