Logo depois, Carmen, a governanta, bateu de leve à porta. O toque foi quase cerimonioso, como se até o som obedecesse a um protocolo invisível. Quando falou, sua voz veio macia, educada, daquele tipo que parece ter sido treinada em uma escola de etiqueta suíça.
— O jantar está servido, senhorita. O senhor Alejandro a espera.
Fechei os olhos por um segundo.
Respirei fundo.
Era agora.
Eu não ia atravessar aquela porta como figurante da própria vida. Não depois de tudo. Não depois daquela noite, daquele contrato jogado sobre a mesa da minha existência como se fosse um convite irrecusável. Eu estava pronta para as minhas exigências — e, pela primeira vez desde que cheguei àquela mansão, sentia algo parecido com controle.
Eu sabia. Não com a razão, mas com o corpo. Com o instinto. Alejandro não teria ido tão longe se não houvesse algo ali. Alguma coisa tinha nos ligado naquela noite. Um erro bem calculado do destino. Um acaso irresponsável. Ou apenas a imprudência de duas pessoas que se en