Mundo de ficçãoIniciar sessãoO nome dele ecoou pelos alto-falantes, acompanhado pelos olhares femininos que simplesmente acenderam quando o viram entrar no palco.
Eu o observei por um instante. Bonito demais… e ele sabia disso. O jeito confiante, quase arrogante, misturava charme e provocação natural — uma presença que preenchia o ambiente.Ele começou a discursar com voz grave e controlada:
— Nosso compromisso vai além do lucro. Estamos investindo em tecnologias sustentáveis, reciclagem e proteção ambiental...Enquanto ele falava, senti Cristina cutucar meu braço, empolgada:
— Esse é o CEO da CruzPharma Scientific, e está super solteiro! Chegou há poucos meses para liderar a empresa.Meu estômago se revirou.
Solteiro. CEO. Misterioso. E, principalmente… ele.Eu apenas disse, baixinho:
— Cris… por favor.Mas, claro, ela continuou, sussurrando animada:
— Ele ficou viúvo. Dizem que é o solteirão mais cobiçado do momento. Alejandro Cruz González…O nome dele bateu em mim em alta velocidade. Meu coração tropeçou, mas eu fiz o que sei fazer melhor em momentos de crise: fingi normalidade.
Eu tentei rir, balançando a cabeça de um jeito meio nervoso, meio “socorro”.
— Você nunca desiste, né? — falei. — Não quero me envolver com ninguém. Nem com planta. Nem com gente.Cristina abriu aquele sorriso de quem claramente já estava escrevendo novela na cabeça.
Sorri, suspirei e falei — Vou ao toalete.
Atravessei o salão tentando manter a elegância, mesmo com meu coração completamente descompassado.
No banheiro, enquanto retocava o batom no espelho, ouvi duas mulheres conversando atrás da porta.
— Hoje Alejandro será meu! — disse uma delas, cheia de pretensão.
— Não sei como… — respondeu a outra, debochada — ele ainda não esqueceu a esposa falecida.Arqueei a sobrancelha, fingi não ouvir, lavei as mãos e saí com um meio sorriso.
O drama dos ricos e poderosos… que ironia.Quando voltei, a cerimônia já tinha terminado. Cristina estava cercada por fotógrafos e jornalistas, radiante.
Eu a observei de longe, orgulhosa — até que, para meu desespero, ela apontou diretamente para mim.— Vem, Laura! — gritou. — Quero uma foto com você! Essa é minha prima, colaborou muito nessa pesquisa!
Congelei.
Não… ela não fez isso. Olhei para trás, procurando outra Laura, mas claro que não havia ninguém. Era eu mesma.Os fotógrafos já apontavam as câmeras, e eu caminhei até ela corando.
— Não precisava me chamar… — murmurei.Cristina apenas riu, me puxando para mais perto.
O fotógrafo ergueu a câmera.
— Isso, todos juntos… mais perto!E então ele se aproximou.
Alejandro Cruz González.
Tão perto que pude sentir o calor do corpo dele.
O perfume. A lembrança. Como se a noite no hotel tivesse acontecido segundos atrás.Meu coração simplesmente parou.
Ele me encarou… e no segundo em que nossos olhos se encontraram, eu soube:
ele se lembrou de mim.O clique da câmera cortou o ar e quebrou o feitiço.
Quando tentei me afastar, senti uma mão firme segurar minha cintura.
— Espere… — a voz dele era baixa, rouca, perigosa. — Você é convidada da Cristina?
Engoli seco.
— S-sim…Ele sorriu. O tipo de sorriso de quem sempre consegue o que quer.
A mão dele ainda estava na minha cintura, quente, segura — perturbadora.
Levantei o olhar e encontrei aqueles olhos escuros, que me prendiam como se dissessem: “Eu sei quem você é.”— A Cristina falou de você, Laura — disse ele, com a voz mais suave do que eu esperava.
Meu nome na boca dele…
Quente demais.Disfarcei como pude.
Ele continuou:
— Ela disse que você ajudou bastante na pesquisa.Ri, um pouco sem jeito. Tentando falar bem sem passar vergonha.
— Ela exagera. Só dei uma ajuda, eu só fiz o básico nada heroico.Alejandro manteve o olhar fixo no meu por alguns segundos a mais do que o normal — era curioso, atento, como se tentasse encaixar uma lembrança fora de lugar.
— Você fala isso como se realmente acreditasse — disse ele, num tom baixo, quase divertido.
Cruzei os braços, mais para me proteger do que por pose.
— Acredito no que preciso para sobreviver a esses eventos — respondi, tentando soar leve.Ele sorriu de lado, sem pressa.
— Entendo. Nem todo mundo gosta dos holofotes.Por um instante, pareceu que o resto da sala perdeu o volume. As vozes ficaram distantes, os flashes menos intensos. Havia apenas aquele espaço estranho entre nós — cheio de coisas não ditas.
Respirei fundo e dei um passo para trás, recuperando o controle. Tentando sair dali.
— Bom… já está ficando tarde — falei, educada. — Parabéns pelo discurso. Foi… realmente bom.
O sorriso dele permaneceu, agora mais contido.
Alejandro Cruz deu um passo à frente, como se invadir meu espaço pessoal fosse o esporte favorito dele. A proximidade pareceu natural demais para alguém que eu definitivamente não conhecia… certo?
Dessa fez olhar dele pousou em mim por tempo demais para ser apenas educação.— Sabe… — ele começou, a voz baixa, daquele jeito perigosamente confiante — às vezes a gente reencontra alguém no lugar mais improvável. Alguém que deixou… impressão.
Eu sustentei o olhar. Ou tentei.
Por dentro, meu coração já estava procurando uma saída de emergência.Ainda assim, meu sorriso saiu leve, quase inocente — talento adquirido na base da sobrevivência social.
— Impressão? — repeti, fingindo surpresa. — Não sei do que está falando, señor Cruz. Deve estar me confundindo.Ele inclinou a cabeça, sem tirar os olhos de mim.
— Confundir? — sorriu, como quem guarda segredos no bolso do paletó. — Difícil. Tem coisas que não se esquecem.Fez uma pausa. Claro que fez.
— Nem mesmo no escuro.
Pronto. Meu estômago deu uma cambalhota digna de Olimpíada.
Respirei fundo e mantive o papel de mulher confiante.— Lamento não poder ajudar com a sua memória — respondi, elegante… e levemente afiada. — Mas tenho certeza de que o senhor conhece muitas pessoas.
O meio sorriso dele voltou, daquele tipo que diz eu sei mais do que você imagina.
— Nem tantas quanto você pensa. E nenhuma tão marcante.Antes que eu pudesse responder — ou sair correndo — a voz salvadora da Cristina atravessou o salão:
— Laura! Vamos! Quero comemorar antes que esse sapato me mate!
Agarrei o resgate como quem se j**a num bote salva-vidas em alto-mar, fugindo de um tubarão de terno caro.
— Com licença, senhor Cruz — disse, educada.
Saí fingindo leveza…
mas sentindo as palavras dele me seguirem como uma sombra quente.






