O resfriado de Elisa passou completamente na quinta-feira, e o reencontro com Gael na quarta à noite foi intenso: jantar improvisado, beijos que compensaram cada hora de distância, uma noite de amor que os deixou exaustos e felizes. Mas a tranquilidade durou pouco.
Na sexta-feira seguinte, Gael recebeu uma ligação inesperada enquanto tomavam café da manhã no apartamento dele.
O celular vibrou na mesa. Número desconhecido, código de área do Rio de Janeiro.
— Alô? — atendeu ele, voz neutra.
Do outro lado, uma voz feminina idosa, trêmula mas firme.
— Gael? É a tia Lúcia. Sua tia Lúcia.
Gael congelou, o garfo parado a meio caminho da boca. Elisa notou imediatamente a mudança na expressão dele.
— Tia... quanto tempo — disse ele, voz controlada. — Como você conseguiu meu número?
— Sua secretária no Rio foi gentil. Eu... precisamos conversar, sobrinho. É sobre a herança do seu pai. E sobre a família.
Gael fechou os olhos por um segundo.
— Não há família, tia. Não desde que eu tinha 15 anos.