Os dias seguintes à ligação da tia Lúcia foram um turbilhão silencioso para Gael. Ele pagou as contas médicas de Marina imediatamente, transferindo uma soma generosa para o hospital no Rio, mas o peso da decisão sobre o teste de compatibilidade o consumia. Noites mal dormidas, respostas curtas no trabalho, um distanciamento sutil que Elisa sentia como uma barreira crescendo entre eles.
Na terça-feira à noite, no apartamento de Gael, o silêncio durante o jantar foi quebrado por ela.
— Você não vai falar sobre isso, né? — perguntou Elisa, pousando o garfo, olhos fixos nele.
Gael suspirou, empurrando o prato para o lado.
— O que há para falar? Eu mandei o dinheiro. O médico dela confirmou: leucemia mieloide aguda. Precisa de transplante urgente. E eu... eu poderia ser compatível.
— Poderia — repetiu ela, suave. — Mas você não quer saber?
Ele se levantou, andando até a janela com vista para a Avenida Paulista iluminada.
— Querer? Elisa, meu pai era um mentiroso. Uma outra mulher, uma filh