A poeira do vazamento ainda nem tinha assentado quando a próxima sombra se projetou sobre a D’Avila Health AI.
Era uma quarta-feira úmida de novembro. O céu carregado parecia um presságio, daqueles que não gritam, apenas observam. Elisa estava sentada na poltrona baixa da sala de Gael, tablet no colo, revisando pela terceira vez o relatório pós-crise da CyberShield. Cada linha técnica soava como uma tentativa desesperada de provar inocência a um tribunal invisível.
Gael caminhava de um lado para o outro, em silêncio. O tique nervoso no maxilar denunciava o que ele não verbalizava.
A batida na porta foi seca.
Clara entrou sem o sorriso profissional de sempre. Trazia um envelope pardo nas mãos, grosso, pesado demais para ser apenas papel.
— Chegou agora — disse ela. — Sedex. Da ANPD. Prioridade máxima.
O ar pareceu mudar de densidade.
Gael pegou o envelope, sentindo o peso simbólico antes mesmo de rasgar o lacre. O timbre da Agência Nacional de Proteção de Dados saltava aos olhos como u