Saulo Prado
Eu me sentia possesso, enraivecido. E, quando ouvi o elevador partir, um arrependimento me atravessou. Era tarde demais, mas ela tinha culpa dele ter vindo até aqui — aqueles olhares que trocou com ele me diziam tudo. Como homem, eu sei bem reconhecer.
A verdade é que minha mente não trabalha diferente quando olho para ela. E perceber isso me fez sentir tão sujo, tão igual ao meu pai, que um ódio me consumiu por dentro.
Soquei a mesa, como se pudesse controlar a raiva e todo o desejo que sinto por ela. A forma como ela me fazia aceitar a comida, quase à força, me deixava ainda mais inquieto.
Olhei para o prato em cima da mesa. Não era pela salada que eu estava comendo. Era pelos seios dela, tão perto dos meus olhos. Até o gosto amargo desaparecia a cada garfada.
Eu nem sabia direito o que estava entrando na minha boca. Detesto repolho, e aquela salada parecia ter de tudo: legumes, verduras e até fruta.
Levantei da cadeira, decidido a descer e ir atrás de Angelina. Mal cheg