Angelina Da Costa
Saí do banheiro com Júnior no meu calcanhar, a toalha grudada na minha pele molhada, eu me sentia um botijão.
- Então, mãe... - ele começou, a voz já me arranhando.
Olhei para a minha cama bagunçada.
Suspeitei que Ana Júlia tinha dormido ali, já que a dela estava arrumada, limpa demais, como se nunca tivesse sido usada. Algumas roupas jogadas por cima, cheiro de perfume misturado ao suor. Não queria deitar naquela cama. Não queria sentir o calor dela impregnado nos lençóis. Era como se até os objetos me acusassem, senti nojo, asco da minha própria filha.
- Tem algum trocado aí? O moleque tá sem fralda e... - Júnior perguntou, com aquele jeito frio de quem pede pão na padaria.
Olhei para ele atrás de mim, e só consegui sentir o peso do egoísmo dele. Não importava se eu estivesse caindo em pedaços, desmoronando, me afundando no próprio choro. A urgência dele era sempre outra.
- Sai, Júnior. Quero ficar sozinha. - Minha voz saiu áspera, falhada. Dentro de mim, uma p