Saulo Prado
Deixei Angelina no prédio e, em vez de ir embora, fiz o desvio. Minha mãe tinha me ligado mais cedo, pedindo para buscá-la no shopping, e como sempre, resolvi aparecer sem avisar.
O que eu não esperava era a cena que encontrei na praça de alimentação.
Lá estava ela, Laura Ribeiro, a mulher mais docil desse mundo sentada diante de uma casquinha de sorvete, rindo, a boca toda suja, labuzada. Rindo. Como se tivesse voltado dez anos no tempo. Do outro lado da mesa, um dos moleques de An