Angelina Ribeiro
O riso de Otávio era um som seco, velho, corroendo meus nervos como um prego cravado no osso. Cada nota parecia arrastar comigo anos de medo e submissão, lembranças que eu jurava ter enterrado, mas que agora se levantavam, monstruosas, diante de mim. Frantesca estava ali, imóvel, com olhos vidrados de ódio, mas havia mais - havia posse doentia, como se a raiva fosse dela, mas a recompensa fosse um espetáculo, a minha humilhação o prêmio que ela queria ver se concretizar.
- Eles