MESES DEPOIS
— Tem certeza? — perguntei, surpreso.
— Acabei de receber a confirmação. É verdade. Nos últimos meses, a vida dele foi miserável lá dentro, cheia de humilhações. Pelo que soube, ele foi… — Marcus pigarreou. — Você sabe, esnobes não costumam durar muito na cadeia.
Fiquei em silêncio por alguns segundos. A notícia era inesperada, até perturbadora de certa forma, mas não despertava tristeza alguma.
Tentei me sentir uma pessoa ruim por não lamentar aquela morte. Tentei buscar culpa, pesar, qualquer coisa. Mas não senti nada.
— Tudo bem. Obrigado por avisar — respondi, por fim.
Desliguei a ligação e soltei um suspiro profundo, como se algo antigo e pesado finalmente tivesse sido deixado para trás.
Margarida estava sentada no tapete da sala, cercada pelos nossos filhos. A televisão exibia um filme qualquer, daqueles leves, e o som se misturava às risadas e comentários empolgados de Emma. A barriga dela, enorme e redonda, se destacava sob a blusa confortável. Emma e